Hoje é uma data até difícil de se comemorar (quando não deveria ser assim e o clima que deveria reinar era o de apenas festa em um dia bonito, agradável e memorável para todas nós mulheres! Mas até essa data nasceu como resultado de uma luta! Da luta de mulheres operárias por melhores condições de trabalho e igualdade no início do século passado!), devido às tantas notícias de casos de feminicídio e violência contra mulheres, que têm chegado até nós mulheres nos últimos anos, meses, semanas e dias e por ver que as estatísticas de mulheres que têm seus direitos garantidos por lei violados estão chegando ao extremo eu estou aqui para me unir às vozes de muitas outras mulheres e famílias de vítimas de feminicídio que clamam por justiça pelas mulheres que não podem mais falar por si porque por serem mulheres foram brutalmente assassinadas! O assassinato de alguém já é por si só algo brutal e selvagem! Justiça por todas as meninas e mulheres vítimas de assédio, de abuso, de agressão, de feminicídio e de tentativa de feminicídio! Justiça por todas as famílias que perderam alguém para o feminicídio! Justiça por todas as meninas e mulheres negras e indígenas vítimas de feminicídio, que por serem negras e indígenas, não tiveram os seus casos sequer levados aos meios de comunicação, recebido a devida e esperada atenção, comoção, e sequer viraram notícias! Viraram apenas estatística e olhe lá, se é que chegaram a entrar para as estatísticas! Meios esses, ainda racistas e excludentes, que selecionam até quais casos importam mais em serem noticiados! Preferindo levarem mais para a televisão e a internet as vítimas brancas, que têm suas histórias conhecidas, tornadas públicas, abraçadas e defendias, e são levadas às mídias apenas por serem mulheres brancas, vistas como um corpo bonito, um rosto bonito com um cabelo bonito, femininas, vaidosas, consideradas padrão de beleza, que são aguardadas e recebidas já fora do hospital após suas altas, quando sobrevivem e saem conscientes, com balões, cartazes, homenagens e ganham passeatas pedindo justiça, em detrimento, sim (quando escolhem uma cor de pele e um padrão de rosto para se falar de agressão à mulheres e ao assassinato delas e representar todas elas quando nós mulheres somos muitas e somos diversas), da justiça para as vítimas negras quando as maiores vítimas desse crime e selvageria apoiados e mantidos por todo um sistema são as mulheres negras, sim, descartadas até mesmo quando o assunto é filmar e mostrar, enfim, dar visibilidade, às suas dores e às das suas famílias, que choram a sua morte e imploram por justiça! Em contrapartida às que são homenageadas, nós somos marginalizadas, apontadas, julgadas, responsabilizadas e tidas como culpadas. Nisso também têm responsabilidade os documentários de casos criminais que vão parar na televisão e os canais de casos criminais no YouTube. Nós mulheres negras e indígenas também queremos e merecemos um pouco desse carinho e acolhimento, que ainda são muitas vezes seletivos. Porque a violência contra mulher é algo que tem como alvo mulheres de todas as raças, cores, crenças, nações e classes sociais! Todas são alvos porque são mulheres. Porém, poucas são acolhidas e amparadas por causa da sua raça, cor e classe social.
Publicações estão sendo feitas nas redes sociais desde a véspera e os dias antecedentes à data de hoje dizendo e falando como que por todas as mulheres que hoje nós mulheres não queremos flores. Mas a verdade é que não dá pra falar por todas nós mulheres; uma parte de nós queremos, sim, flores, chocolates e todos os presentes, agrados, surpresas boas e lembrancinhas que tivermos de receber nesta data, não para tentarem amenizar e fazer com que seja esquecido o que causaram homens à mulheres após uma agressão desferida, como um pedido de desculpa, por exemplo, mas também queremos respeito por nós e justiça pelas muitas de nós que foram vítimas de violação, de violência, de feminicídio consumado e de tentativa de feminicídio! Porque não queremos ser as próximas! Queremos respeito e justiça! Que esses dois direitos sejam o que prevaleçam no cotidiano de cada uma de nós e quando nós mulheres formos o motivo da celebração!